Eletronicoblog entrevista Cory Doctorow

publicado: quinta 12 março 2009 por Ale em: Internet Entrevistas

Entrevistamos para vocês Cory Doctorow, o famoso jornalista, blogger e autor de ficção científica que semana passada deu uma palestra na Mediateca de Milão, para o ciclo de encontros Meet the Media Guru. Cory é uma pessoa muito gentil, que muitos de vocês o reconhecerão como autor do célebre blog BoingBoing, como ativista pela liberdade digital ou como escritor de “sci-fi” aberto ao Creative Commons (vocês podem baixar alguns dos seus ótimos artigos no seu site, o Craphound).

Dividimos a entrevista em 3 partes, e aqui está a primeira.

Conta pra gente alguma coisa sobre a evolução dos instrumentos de comunicação da web, a partir da sua perspectiva de geek de longa data.

Até alguns anos atrás eu conseguia ler a internet por inteiro, tudo aquilo que era escrito no Usenet. Após algum tempo, era informação demais e eu tive que escolher grupos de artigos. Depois, esses grupos também ficaram muito cheios de informação; a mesma coisa aconteceu com as mailing lists, com o correio eletrônico e a web. Me lembro de quando eu navegava por todos os sites da lista NCSA, que publicava todos os novos sites abertos a cada dia - eu pudia ler todos os sites da Internet.

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As tecnologias de publicação se tornaram cada vez melhores, mas não fizeram melhoramentos substanciais para o aspecto contrário, ou seja aquilo que nos permite ignorar parte do que é publicado. Os filtros estão em alta: eu gostaria, por exemplo, de ter um feed reader com filtros fáceis de configurar, pelo menos como no e-mail. Assuntos, autores, palavras-chave: filtros para ignorar certas categorias de notícias. Mesmo no e-mail poderia ser mais fácil configurar uma regra, mas normalmente são necessários 5 ou 6 clicks escondidos em algum menu.

A boa notícia é que é mais fácil publicar e comunicar. A má notícia é que é ainda difícil ignorar as coisas. O futuro dos programas de comunicação deverá tornar esse processo mais direto, mais simples. E não é só spam (o que já é um desastre total): mesmo sem ele, você não conseguiria manter uma caixa de entrada vazia.

Li uma entrevista sua por aí, você falava da sua não-tão-boa experiência com IM. Qual é em vez a sua relação com as social networks?

Não as uso muito, mas gosto do Twitter. Nós, como seres humanos, temos necessidades biológicas bem fortes: reproduzir-se, comer comida com alto conteúdo energético, etc. As vezes essas necessidades podem se tornar patológicas, é só ver as pessoas que são obesas por comer muitos doces.

Em um certo momento da nossa história evolutiva nós viramos seres sociáveis, passamos da vita solitária à vida em comunidade, na qual cada um podia ter uma função especializada. E isso criou um monte de problemas novos. Confiar ou não, cooperar ou não, como modelar o próprio comportamento e como se comunicar: tudo isso é gerenciado pelo neocórtex, uma zona do cérebro bastante grande. Acho que para esse córtex cerebral as social networks sejam uma droga muito potente, que nem o açúcar ou a pornografia: algo muito refinado, que na natureza não é frequente mas que o homem aprendeu a produzir, e pode gerar dependência.

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